Eco do Amor

Ouço uma voz que me chama. Uma voz silenciosa que só eu a capto. Serás tu? Será o meu pensamento? Será o vento? Não. És tu. És tu que me atormentas como um forte vento que arrebata os meus pensamentos e mexe com o meu eu. Tento resistir. Tapo os meus ouvidos com uma força visceral e ouço-te. "Pára!" grito eu. Um grito surdo que nem eu o consigo ouvir... Aperto-me. Estás perto, cada vez mais... Onde? E é nesta loucura tempestuosa que te procuro por todo o lado. Todo o meu ser é negrume...! Estou envolto de uma escuridão sufocante, asfixiante... e não te vejo, ouço-te. Quero fazer-te calar mas não consigo... porque te odeio, porque te reclamo. Aí descobri que afinal não é a tua voz que ouço... é apenas o eco da minha...! É o Eco do Amor que tenho em mim que o ouço como rancor; o meu eco é a tua voz... porque, afinal, eu sinto-te em mim... fazes parte de mim.
Contudo és um eco, continuas a ser... quando é que ouvirei a tua voz? Quando é que ouvirei verdadeiramente a tua voz? Quando...? Ouço-te novamente... ouço-me... perco-me... amo-te.

