quarta-feira, abril 13, 2005

Eco do Amor


Ouço uma voz que me chama. Uma voz silenciosa que só eu a capto. Serás tu? Será o meu pensamento? Será o vento? Não. És tu. És tu que me atormentas como um forte vento que arrebata os meus pensamentos e mexe com o meu eu. Tento resistir. Tapo os meus ouvidos com uma força visceral e ouço-te. "Pára!" grito eu. Um grito surdo que nem eu o consigo ouvir... Aperto-me. Estás perto, cada vez mais... Onde? E é nesta loucura tempestuosa que te procuro por todo o lado. Todo o meu ser é negrume...! Estou envolto de uma escuridão sufocante, asfixiante... e não te vejo, ouço-te. Quero fazer-te calar mas não consigo... porque te odeio, porque te reclamo. Aí descobri que afinal não é a tua voz que ouço... é apenas o eco da minha...! É o Eco do Amor que tenho em mim que o ouço como rancor; o meu eco é a tua voz... porque, afinal, eu sinto-te em mim... fazes parte de mim.
Contudo és um eco, continuas a ser... quando é que ouvirei a tua voz? Quando é que ouvirei verdadeiramente a tua voz? Quando...? Ouço-te novamente... ouço-me... perco-me... amo-te.

quarta-feira, abril 06, 2005

Solidão


Mordes-me!
Atordoas-me!
Obrigas-me... a sentir... a sentir-te.
É a ti que tenho quando mais ninguém me compreende. É a ti que vejo quando ouço uma música e penso em alguém. És tu que chegas, com aquele vento polar, cortante... envolves-me e eu desespero. Torno-me frio, congelo e entro em ebulição; fervilho a 0º graus. Não quero estar contigo... mas amarras-me... e fujo, fujo... para onde? Afinal, em todo o lado te encontras porque no fundo tu estás comigo... preenches a lacuna do meu ser humano que quer tocar o divino, que quer tocar alguém, que quer tocar aquele alguém que não quer ser tocado... Permaneces. Tenho nojo de ti. Repugno-te cada vez mais!
Mas fica. Fica comigo mais uma noite... O lugar vazio, pelo menos, fica preenchido... e odeio-te.